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Confira quem expõe em 2024 no Instituto Moreira Salles

2024 vai contar com exposições apresentando Josef Koudelka, Jorge Bodanzky, Stefania Bril e Thomaz Farkas, na sede de São Paulo, e reabre centro cultural de Poços de Caldas.

Em 2024, o Instituto Moreira Salles exibirá, em sua sede de São Paulo, exposições de figuras centrais da fotografia e do cinema: o tcheco Josef Koudelka (1938), um dos principais nomes da fotografia humanista e poética mundial, o cineasta, roteirista e fotógrafo Jorge Bodanzky (1942), a fotógrafa Stefania Bril (1922-1992), consagrada também por sua atuação como crítica e curadora, e Thomaz Farkas (1924-2011), fotógrafo e cineasta que teve atuação marcante no cenário cultural brasileiro.

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Depois de passar por obras de restauro e modernização, o IMS Poços reabre ao público em 13 de janeiro, com uma exposição inédita sobre o fotoclubismo em Poços de Caldas e outra de fotografias de Madalena Schwartz, já apresentada no IMS Paulista, no Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (Malba) e no Museo Nacional de Arte de La Paz. No segundo semestre, o IMS Poços receberá a exposição Walter Firmo: no verbo do silêncio a síntese do grito (em cartaz até 31 de março no Museu de Arte Moderna da Bahia).

O IMS Poços reabre com mais acessibilidade e conforto. Foram instalados elevadores entre os dois andares e novos banheiros, acessíveis a todos os visitantes. A sala de cinema, que também funciona como auditório para shows e concertos, foi totalmente renovada. Ganhou poltronas mais confortáveis e um projetor de última geração.

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O IMS Rio continua fechado para obras de restauro e reforma de sua sede na Gávea, mas estabelecerá parcerias na cidade, como fez ao longo de 2023. Inaugurada em dezembro de 2023, a exposição Iole de Freitas, anos 1970 – Imagem como presença segue em cartaz até 24 de março no Paço Imperial. Ela reúne uma série de trabalhos – principalmente fotos e filmes em super-8 e 16 mm – que a artista produziu na década de 1970, pouco vistos pelo público brasileiro, alguns deles inéditos.

Exposições realizadas pelo instituto continuam suas itinerâncias no exterior. Claudia Andujar – A luta Yanomami fica em cartaz até 4 de março no Museu Amparo, no México, e de lá segue para o Museo de Arte Miguel Urrutia, em Bogotá, Colômbia, onde será inaugurada em 25 de maio. Exibida pela primeira vez no IMS Paulista, em 2018, a mostra já passou por Rio, Paris, Milão, Barcelona, Londres, Winterthur (Suíça) e Cidade do México. Já Daido Moriyama – Uma retrospectiva, termina em 11 de fevereiro a temporada londrina, na The Photographers’ Gallery, e segue para o The Finnish Museum of Photography, em Helsinque (de 7/3 a 2/6), para terminar o ano na Photo Elysée, em Lausanne, Suíça (de 6/9/2024 a 12/1/2025).

No Cinema, destaque para duas mostras exibidas no IMS Paulista: a que homenageia a obra de Jorge Bodanzky, paulistano que elegeu a Floresta Amazônica como foco principal de seu trabalho, e a da cineasta nascida em Guadalupe Sarah Maldoror (1929-2020), cuja obra revela grande comprometimento com as lutas de libertação na África. Uma programação especial está sendo pensada também para a nova sala de cinema no IMS Poços – ao lado de produções selecionadas do circuito comercial, a coordenadoria de Cinema do IMS, liderada por Kleber Mendonça Filho, privilegiará o trabalho de cineastas locais. Além disso, uma mostra de filmes tendo salas de cinema como pano de fundo se estenderá ao longo do ano.

Na área de Educação, há vários projetos previstos para 2024. Entre eles, um curso para professores da rede pública interessados em cultura visual e expressões artísticas, em formato virtual e com 20 horas de duração. No Rio de Janeiro, o Escola Escuta, focado em formação com e para agentes culturais periféricos na cidade, se desenvolve em seis módulos: produção de exposições; elaboração de projetos culturais; cultura, corpo e cidade; montagem de portfólio; encontros sobre fotografia contemporânea; e a residência Laboratório de Imagens. As ações serão realizadas em três territórios: Maré, Rocinha e Honório Gurgel (Parque Madureira).

Em São Paulo, o IMS continua a parceria iniciada em 2022 com a Ocupação Penha Pietra’s, recebendo grupos de famílias da ocupação para visitas mediadas às exposições e oferecendo oficinas para crianças e adultos. E, em Poços de Caldas, o centro cultural prossegue com o Projeto Escola Perto, uma parceria com escolas da cidade, tendo como objetivo conhecer a instituição, suas exposições e seus acervos, articulando interesses dos estudantes e professores.

Confira abaixo as sinopses de exposições e mostras de cinema previstas para 2024:

São Paulo (SP)

IMS Paulista

A câmera de Jorge Bodanzky: conflito e resistência durante a ditadura brasileira, 1964-1985 (título provisório)

De 23 de março a 28 de julho de 2024

Exposição em homenagem à carreira do cineasta e fotógrafo Jorge Bodanzky (1942), com foco na produção realizada durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). O período engloba a jovem produção fotográfica, as experimentações em super-8, as reportagens para tevês alemãs e alguns dos principais longas-metragens, como Iracema (1974), Gitirana (1975), Os Mucker (1978), Jari (1979), Terceiro milênio (1980) e Igreja dos oprimidos (1985). Com equipe enxuta e ideias abundantes, Bodanzky renovou o cinema brasileiro ao mesclar documentário e ficção para abordar os conflitos sociais e políticos do período em que o manto desenvolvimentista recobriu o país de violência e opressão. Nos 60 anos do golpe militar que calou o Brasil, a produção de Bodanzky é um convite urgente e atual para repensar a democratização do país e a renovação do cinema político. Curadoria de Thyago Nogueira. Curadora-assistente: Horrana Santoz. Pesquisa de Ângelo Manjabosco e Mariana Baumgartner. Em uma parceria entre áreas do IMS, o Cinema IMS organiza uma ampla retrospectiva da obra de Jorge Bodanzky (veja mais na rubrica Cinema).

Josef Koudelka

De 18 de maio a 15 de setembro de 2024

Com curadoria do próprio fotógrafo tcheco, a exposição reunirá duas séries famosas de Josef Koudelka, um dos grandes nomes da tradição da fotografia humanista: Ciganos e Exílios. Iniciadas respectivamente nas décadas de 1960 e 1970, as duas séries são apresentadas integralmente, com ampliações produzidas nas décadas de 1980 e 1990 sob a supervisão do artista.

Stefania Bril: desobediência pelo afeto

De 24 de agosto de 2024 a 26 de janeiro de 2025

Primeira exposição individual depois de quase cinco décadas da última mostra organizada com o trabalho da fotógrafa polonesa que emigrou para o Brasil nos anos subsequentes ao fim da Segunda Guerra. Stefania Bril (1922-1992) desenvolveu sua obra principalmente nos anos 1970, e teve importante atuação como crítica e curadora, trabalhando ativamente na construção de um circuito cultural para a fotografia no Brasil no contexto da abertura democrática. Com novas ampliações de suas fotos, muitas delas inéditas, além de vintages e materiais de arquivo, a exposição ressalta a particularidade de seu olhar fotográfico – que se dá em chave feminina, calcado no afeto e na desobediência às lógicas dominantes – e seu compromisso pedagógico de difusão da arte fotográfica. A curadoria é de Ileana Pradilla e Miguel Del Castillo, com assistência de curadoria de Pamela de Oliveira.

Centenário Thomaz Farkas (título provisório)

De 19 de outubro de 2024 a 9 de março de 2025

No ano do centenário de nascimento de Thomaz Farkas (1924-2011), o IMS apresenta uma grande retrospectiva que percorre de forma abrangente as principais vertentes da vida e da obra do fotógrafo húngaro que chegou ao Brasil aos 6 anos e aqui atuou em diversas frentes no campo das artes e da cultura: fotografia, cinema e gestão e difusão cultural. A exposição articula três principais conjuntos de obras de Farkas: a produção fotográfica de juventude, representada pelo material que produziu para a sua exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo em 1949, já indicativa dos caminhos que trilharia a seguir, além de sua produção em cores do período; a produção integral cinematográfica da Caravana Farkas, mergulho na territorialidade do país através do cinema documental dos anos 1960 e 1970; e o legado da coleção Thomaz Farkas/Galeria Fotoptica, formada entre 1979 e 1995 por mais de 750 obras de 150 fotógrafas e fotógrafos do país. Curadoria de Sergio Burgi, Rosely Nakagawa e Juliano Gomes, com assistência de curadoria de Alessandra Coutinho. Supervisão de João Fernandes.

IMS Paulista

Avenida Paulista, 2424 – São Paulo – Tel.: 11 2842-9120
Horário de funcionamento: Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h.
Entrada gratuita

Poços de Caldas (MG)

IMS Poços

Fotoclubismo em Poços de Caldas – Vestígios de uma história

De 13 de janeiro a 9 de junho de 2024

A exposição apresenta imagens de fotoclubes nacionais e estrangeiros encontradas no acervo do fotógrafo poços-caldense Limercy Forlin. Membro diretor do Foto Cine Clube de Poços de Caldas, Forlin guardou um conjunto significativo de ampliações, que teriam sido parte do terceiro e último salão internacional organizado em 1970, pelo Foto Cine Clube Poços-Caldense de Fotografia Pictorial. A mostra reúne mais de 100 fotografias dessa coleção, com destaque para a produção fotoclubista em Poços de Caldas, que teve como atores principais Roberto Thomas Arruda, Don Duane Williams, Vera Ferreira, Antônio Jayro Mota, Célio Barbosa, Dorival Pereira, José Asdrúbal Amaral Roberto de Andrade, Limercy e Zizi Forlin. A curadoria é de Teodoro Stein Carvalho Dias, com assistência de curadoria de Beatriz Matuck.

Madalena Schwartz: as metamorfoses – Travestis e transformistas na SP dos anos 70

De 13 de janeiro a 9 de junho de 2024

Nascida em Budapeste, a fotógrafa Madalena Schwartz (1921-1993) teve atuação de destaque no meio cultural de São Paulo, onde se radicou em 1960. Dedicou seu primeiro ensaio de fôlego às personagens que conheceu na noite paulistana: artistas transformistas, andrógenos e travestis, num arco em que surgem desde nomes essenciais da época, como Ney Matogrosso e os Dzi Croquettes, até figuras hoje quase esquecidas. A curadoria é de Gonzalo Aguilar e de Samuel Titan Jr.

Walter Firmo: no verbo do silêncio a síntese do grito

De 29 de junho a 17 de novembro de 2024

Ao longo de mais de sete décadas, Walter Firmo (1937) documentou inúmeras regiões do país enaltecendo seus personagens, sobretudo os negros, e múltiplas manifestações culturais e religiosas, além de retratos icônicos de grandes nomes da música popular, como Pixinguinha e Cartola. Fotografou em cor e preto e branco, produzindo, segundo suas próprias palavras, “um inventário da sociedade brasileira”. Grande e atraente amostragem do trabalho de Firmo, a exposição com curadoria de Sergio Burgi e curadoria adjunta de Janaina Damaceno chega a Poços de Caldas depois de passar pelo IMS Paulista, pelas unidades do CCBB de Rio, Brasília e Belo Horizonte e pelo Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador, onde fica em cartaz até 31/3. O catálogo da mostra acaba de vencer o prêmio Jabuti deste ano, na categoria Artes.

IMS Poços

Rua Teresópolis, 90 – Poços de Caldas, MG, Brasil – 35 3722 2776
Horário de funcionamento: Terça a sexta, das 13h às 19h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 19h.
Entrada gratuita

Rio de Janeiro (RJ)

Paço Imperial

Iole de Freitas, 1970 – Imagem como presença

De 2 de dezembro de 2023 a 24 de março de 2024

Inaugurada no fim de 2023 no Paço, a exposição reúne uma série de trabalhos que Iole de Freitas produziu na década de 1970, pouco vistos pelo público brasileiro, alguns inéditos. São fotos e filmes em super-8 e 16mm dos tempos em que a artista viveu em Milão e Nova York, num momento em que era parte ativa, na Itália, de um ambiente político de grande efervescência política e cultural. Há também instalações que a artista realizou no período, como as que apresentou em Milão, no Studio Marconi, e em Paris, na Bienal Jovem de 1975. São os primeiros trabalhos de uma artista, então na casa dos 20 anos, apresentados ao público brasileiro num conjunto abrangente e representativo da produção de Iole naquela década. Curadoria de Sônia Salzstein; assistência de curadoria de Leonardo Nones.

Paço Imperial

Praça XV de Novembro, 48, Centro – Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Horário de funcionamento: Terça a domingo, das 12h às 18h
Entrada gratuita

Cinema

Projeto Jorge Bodanzky no IMS | IMS Paulista

Em março de 2024

Em homenagem à carreira e às oito décadas do cineasta Jorge Bodanzky, o IMS apresenta uma retrospectiva completa de filmes de sua autoria como diretor, conjugada a algumas das obras em que trabalhou como fotógrafo e às suas experimentações em super-8. Estas últimas foram organizadas em novas montagens, sob o comando do pesquisador Ewerton Belico e do montador Luiz Pretti, com eixos que se costuram pelas temáticas extraídas de seu arquivo em super-8: Um realizador viajante, curtas em diálogo destacado com outros cineastas, como Hector Babenco, Wolf Gauer e Klaus Brugger; Retrato em branco e preto, parte dos arquivos de viagens de Bodanzky, alinhados com registros familiares e pessoais diversos dos anos 1970; Bodanzky repórter, articulação de materiais que se avizinham da reportagem documental, em especial produtos realizados para a televisão alemã; e Modos de ver, materiais relativos a artistas visuais como Emanoel Araujo, Donato Ferrari, Geraldo Orthof e Soho Suzuki, em linguagem mais próxima ao cinema experimental. Em uma parceria entre áreas do IMS, a fotografia contemporânea prepara uma exposição no mesmo período (leia acima).

Retrospectiva Sarah Maldoror | IMS Paulista

Em dezembro de 2024

Cineasta nascida em Guadalupe, Sarah Maldoror foi uma das grandes contribuições às culturas cinematográficas de Angola e Moçambique, com frequência focando no papel da mulher nas lutas de libertação em seus territórios. Estudou cinema na ex-União Soviética, tendo iniciado a carreira durante as lutas de independência da África – seus filmes revelam um profundo comprometimento com a história das lutas de libertação. O longa Sambizanga (1972) trata da participação das mulheres nessas lutas através da jornada da protagonista. Antes, dirigiu na Argélia o curta Monangambé (1968), exibido em 1971 na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Também atuou no teatro – foi uma das fundadoras da companhia de teatro negra Les Griots, em Paris, em 1956.

Abertura da nova sala de cinema de Poços de Caldas

A partir de 13 de janeiro de 2024

Uma enxuta, mas substanciosa programação do circuito comercial está sendo especialmente pensada para Poços. A curadoria da nova sala, em um diálogo iniciado em janeiro de 2023 com agentes culturais, cineastas, gestores e produtores culturais, movimento hip-hop, movimento negro, congada caldense, entre outros, estabeleceu a cidade como o lugar de novidades, de estreias, de novas mostras, e não apenas um reflexo do que acontece nos cinemas do eixo São Paulo-Rio. No fim de semana inaugural, dois importantes nomes estarão presentes com seus filmes: a sessão especial antes da estreia do filme O dia que te conheci, do cineasta mineiro André Novais (Filmes de Plástico), e a caldense Glenda Nicácio, com seu primeiro longa, Café com canela, junto a seu parceiro de direção Ary Rosa (da produtora Rozsa Filmes). Glenda Nicácio e Ary Rosa foram os homenageados da edição de 2023 da Mostra de Cinema de Tiradentes, uma das mais importantes mostras de cinema brasileiro contemporâneo do país. No entanto, a dupla, sobretudo Glenda, não é conhecida ou mesmo reconhecida em sua própria cidade, embora tenham uma profícua produção de filmes e de reescreverem os modos de roteiro, direção e produção de suas obras, num contexto especial dentro do Recôncavo Baiano. Ainda no fim de semana inaugural, curtas caldenses serão exibidos abrindo as sessões de longas, com apresentação de seus realizadores. Na programação estendida, uma mostra de filmes que tenham a sala de cinema como pano de fundo será apresentada ao longo do ano de 2024.

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