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Porto Alegre investe quase meio bilhão em 100 novos ônibus elétricos

Contrato de R$ 447,7 milhões com o BNDES prevê a aquisição de veículos articulados, estações de recarga e a ampliação da mobilidade sustentável na Capital

A renovação do transporte coletivo de Porto Alegre entrou em uma nova etapa nesta sexta-feira, 10 de julho. A prefeitura assinou o contrato de financiamento que permitirá a compra de 100 ônibus elétricos articulados, movidos a bateria, além dos equipamentos necessários para o abastecimento energético e a operação da nova frota.

O acordo foi firmado com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e prevê a liberação de até R$ 447.797.487. Os recursos são provenientes do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, conhecido como Fundo Clima, mecanismo federal destinado ao financiamento de projetos relacionados à redução de emissões, à transição energética e à adaptação às mudanças climáticas.

A operação integra o POA Futura, programa que reúne os principais investimentos estruturantes projetados pela administração municipal para os próximos anos.

Com a assinatura, o projeto deixa a fase de autorização e preparação financeira para avançar em direção aos procedimentos necessários à aquisição dos veículos. A entrega dos ônibus deverá ocorrer de maneira gradual, seguindo o planejamento que será definido pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

POA FUTURA onibus eletricos para Porto Alegre

Veículos serão destinados ao transporte coletivo

Os novos ônibus serão utilizados exclusivamente no serviço público municipal de transporte coletivo. A distribuição entre as linhas deverá considerar critérios técnicos, operacionais e de demanda, além da disponibilidade da infraestrutura de recarga.

Os veículos deverão ser de fabricação nacional e estar habilitados no Credenciamento de Fornecedores Informatizado do BNDES. O sistema é utilizado pelo banco para verificar se máquinas, equipamentos e veículos atendem às regras de conteúdo nacional e às condições estabelecidas para operações financiadas.

A aquisição abrange ônibus articulados com propulsão totalmente elétrica a bateria. Diferentemente dos modelos convencionais movidos a diesel, esses veículos não produzem emissões de gases pelo escapamento durante a circulação.

Além do potencial de reduzir a emissão de poluentes, os ônibus elétricos apresentam níveis menores de ruído, característica que pode contribuir para melhorar as condições ambientais em corredores de grande circulação e regiões densamente urbanizadas.

“Com o contrato assinado, o POA Futura dá um passo concreto na qualificação do transporte coletivo. Saímos da etapa de autorização para a de execução, e a chegada dos ônibus elétricos representa ganhos imediatos para a saúde da população e para o meio ambiente”, afirmou o secretário municipal de Planejamento e Gestão, Cezar Schirmer.

Financiamento terá prazo de 16 anos

O crédito contratado pela prefeitura terá prazo total de 192 meses, equivalente a 16 anos. O cronograma financeiro prevê 30 meses de carência e outros 156 meses para amortização da dívida.

A taxa informada para a operação é de 8,38% ao ano. O percentual resulta da combinação de três componentes:

  • custo financeiro do Fundo Clima, fixado em 6,15%;
  • remuneração básica do BNDES, de 1,1%;
  • margem de risco da operação, de 1,13%.

A carência representa o período inicial em que o município ainda não começa a amortizar o valor principal do financiamento, conforme as condições do contrato. Após essa etapa, inicia-se o pagamento parcelado do saldo financiado.

Segundo a administração municipal, os investimentos relacionados à compra dos veículos não serão incorporados ao cálculo da tarifa paga pelos passageiros.

“A chegada desses ônibus representa um avanço na qualificação do sistema de transporte coletivo, proporcionando mais conforto e uma melhor experiência aos usuários. Os novos veículos também contribuem para a redução dos custos operacionais, enquanto os investimentos em sua aquisição não geram impacto na tarifa do transporte público”, declarou o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Adão de Castro Júnior.

Infraestrutura de recarga integra o projeto

A eletrificação de uma frota de transporte coletivo exige mais do que a substituição dos veículos. Por esse motivo, o contrato também contempla a compra e a instalação dos equipamentos de recarga necessários para manter os ônibus em circulação.

Essa estrutura deverá ser dimensionada de acordo com fatores como autonomia das baterias, extensão das linhas, tempo disponível para recarga, localização das garagens e quantidade de veículos atendidos simultaneamente.

O planejamento operacional será fundamental para que os ônibus possam cumprir suas viagens sem comprometer a regularidade do serviço. Em sistemas elétricos, a gestão da energia, das baterias e dos intervalos de abastecimento passa a fazer parte da rotina de organização da frota.

As linhas de financiamento do Fundo Clima incluem entre os itens apoiáveis a compra de ônibus elétricos e híbridos, assim como a implantação de equipamentos e sistemas de recarga de baterias.

Eletrificação avança nas cidades brasileiras

A aquisição dos ônibus de Porto Alegre está inserida em um movimento mais amplo de renovação das frotas urbanas brasileiras. Municípios como São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e outras capitais também anunciaram ou contrataram financiamentos para ampliar a presença de veículos elétricos no transporte público.

Segundo levantamento divulgado pelo BNDES em 2025, o banco havia aprovado, desde 2023, aproximadamente R$ 3,8 bilhões em crédito para projetos envolvendo ônibus elétricos. Os financiamentos estavam relacionados à aquisição de 1.701 veículos e poderiam contribuir para evitar a emissão de cerca de 115 mil toneladas de dióxido de carbono por ano.

Outra iniciativa nacional vinculada ao Novo PAC previu investimentos de R$ 4,5 bilhões para financiar mais de mil ônibus elétricos e 1.149 veículos equipados com tecnologia Euro 6, destinada à redução das emissões dos motores a diesel.

A transição para veículos de menor impacto ambiental também tem importância para a indústria nacional. Como os financiamentos exigem equipamentos credenciados, os investimentos podem estimular a fabricação de ônibus, componentes elétricos, baterias, carregadores e sistemas de gerenciamento de energia no país.

Transporte elétrico pode reduzir custos operacionais

Embora a compra de ônibus elétricos normalmente exija um investimento inicial superior ao dos modelos convencionais, os veículos podem apresentar economia ao longo da operação.

Os motores elétricos possuem menos componentes móveis do que os motores a combustão, reduzindo a necessidade de determinados serviços mecânicos. Também deixam de consumir óleo diesel e dispensam itens presentes nos sistemas tradicionais de propulsão.

O resultado financeiro, entretanto, depende de aspectos como preço da energia elétrica, intensidade de utilização dos veículos, custos de manutenção, durabilidade das baterias e eficiência da infraestrutura de recarga.

Além da análise econômica, a eletrificação do transporte público envolve benefícios ambientais e urbanos. A substituição gradual dos ônibus a diesel pode diminuir a presença de material particulado e outros poluentes associados a problemas respiratórios, principalmente em locais com tráfego intenso.

O transporte coletivo também possui papel estratégico nas políticas climáticas porque concentra um grande número de passageiros em um único veículo. Quando associado a tecnologias de baixa emissão e a um serviço eficiente, pode contribuir para reduzir a dependência do transporte individual.

POA Futura reúne mais de R$ 7 bilhões

A compra dos ônibus faz parte do POA Futura, programa coordenado pela Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão. A iniciativa reúne financiamentos nacionais e internacionais, além de recursos próprios da prefeitura.

O programa possui uma carteira superior a R$ 7 bilhões, distribuída em mais de 300 obras, projetos e ações voltados à transformação urbana, à recuperação da cidade e à modernização dos serviços municipais.

Entre as instituições envolvidas estão Banco Mundial, Agência Francesa de Desenvolvimento, Banco Alemão de Desenvolvimento, Banco Interamericano de Desenvolvimento e Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe.

No âmbito nacional, o município mantém contratos e operações com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul.

A chamada Carteira Nacional de Financiamentos soma aproximadamente R$ 2,9 bilhões captados em instituições brasileiras. Os valores serão aplicados em áreas como mobilidade urbana, saúde, educação, habitação, drenagem, saneamento, prevenção de desastres, abastecimento, esporte e modernização administrativa.

Ao todo, a carteira é composta por 39 contratos de financiamento.

Investimentos após a enchente histórica

O POA Futura foi estruturado em um contexto marcado pelos impactos da enchente de maio de 2024, considerada a maior tragédia climática já enfrentada por Porto Alegre.

Além de recuperar estruturas danificadas, o programa busca ampliar a capacidade da cidade de enfrentar novos eventos extremos, modernizar os serviços públicos e incorporar soluções sustentáveis ao planejamento urbano.

Nesse cenário, a compra dos 100 ônibus elétricos representa uma das frentes de mobilidade e sustentabilidade. A medida combina renovação da frota, redução das emissões locais, melhoria das condições de viagem e introdução de uma nova estrutura tecnológica no transporte coletivo.

A prefeitura já havia recebido, em maio de 2026, a autorização necessária para contratar o financiamento. Em junho, o BNDES oficializou a aprovação da operação. A assinatura realizada em 10 de julho completa uma etapa decisiva do processo e permite que o município avance na execução do projeto.

A incorporação dos veículos será realizada em etapas. A definição das linhas atendidas, das garagens que receberão os carregadores e do cronograma de entrada em operação dependerá do planejamento técnico da mobilidade municipal.

Com a nova frota, Porto Alegre deverá ampliar significativamente a participação de tecnologias limpas no sistema de ônibus e iniciar uma das maiores operações de eletrificação do transporte coletivo já anunciadas na cidade.

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