Hospital de Clínicas busca voluntários para estudo sobre doença de Parkinson
Pesquisa realizada em Porto Alegre procura pessoas com diagnóstico da doença e também voluntários sem enfermidades neurológicas; estudo recente estima mais de 500 mil brasileiros com Parkinson

O Serviço de Neurologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) está recrutando voluntários para um estudo sobre a doença de Parkinson. A pesquisa é desenvolvida sob responsabilidade do professor Artur Schumacher Schuh e terá atendimento presencial no Centro de Pesquisa Clínica da instituição.
Podem participar pessoas com diagnóstico de Parkinson e também voluntários que não apresentem nenhuma doença neurológica. Em ambos os grupos, os participantes devem ter mais de 18 anos e disponibilidade para comparecer presencialmente ao HCPA, em Porto Alegre.
O recrutamento ocorre em um momento de crescente atenção à doença no Brasil. Um estudo epidemiológico publicado em 2025, utilizando dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), estimou que aproximadamente 536 mil brasileiros com 50 anos ou mais viviam com Parkinson em 2024. A projeção aponta que esse número pode ultrapassar 1,25 milhão em 2060, acompanhando principalmente o envelhecimento da população brasileira.
Rio Grande do Sul participa de pesquisas sobre Parkinson
Embora ainda não exista uma contagem oficial consolidada e atualizada do número total de pessoas com Parkinson no Rio Grande do Sul, o Estado participa de importantes pesquisas epidemiológicas sobre a doença.
Um dos trabalhos é desenvolvido em Veranópolis, na Serra Gaúcha, onde pesquisadores estruturaram um estudo populacional para avaliar a prevalência e a incidência da doença de Parkinson e de outros tipos de parkinsonismo entre moradores com 60 anos ou mais.
O projeto reúne pesquisadores ligados ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e outras instituições. A escolha de Veranópolis está relacionada, entre outros fatores, ao perfil de longevidade da população do município, característica relevante para pesquisas sobre enfermidades associadas ao envelhecimento.
O próprio Centro de Pesquisa Clínica do HCPA mantém linhas de investigação relacionadas à doença de Parkinson, incluindo estudos sobre epidemiologia, fatores causais, biomarcadores, tratamentos e características clínicas.
Parkinson pode apresentar sintomas além dos tremores
A doença de Parkinson é uma condição neurológica, crônica, progressiva e degenerativa relacionada principalmente à perda de células nervosas localizadas na chamada substância negra do cérebro. Essas células são responsáveis pela produção de dopamina, neurotransmissor fundamental para o controle dos movimentos.
Embora os tremores sejam um dos sinais mais conhecidos, eles não estão presentes da mesma forma em todos os pacientes. Entre os sintomas motores podem ocorrer lentidão dos movimentos, rigidez muscular, alterações posturais e dificuldades para caminhar.
A doença também pode provocar manifestações que não estão diretamente relacionadas ao movimento, como alterações no olfato, distúrbios do sono, depressão e comprometimento cognitivo.
A ocorrência aumenta com a idade. No estudo brasileiro publicado em 2025, a prevalência estimada foi de 0,84% entre pessoas com 50 anos ou mais. Entre participantes com 80 anos ou mais, chegou a 2,75%. Homens apresentaram maior frequência da doença do que mulheres na população analisada.
Tratamentos buscam preservar autonomia e qualidade de vida
Atualmente, não existe cura para a doença de Parkinson, mas medicamentos e acompanhamento multidisciplinar podem controlar sintomas e preservar a autonomia e a qualidade de vida durante muitos anos.
O Ministério da Saúde atualizou em 2025 o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Parkinson, documento utilizado como referência para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS).
Outra novidade ocorreu em maio de 2026, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Vyalev (foslevodopa/foscarbidopa), indicado para pacientes com Parkinson avançado que apresentam flutuações motoras graves e debilitantes e não respondem adequadamente aos tratamentos disponíveis. A medicação utiliza infusão subcutânea contínua para tentar reduzir as oscilações na resposta ao tratamento.
Como participar do estudo do HCPA
Os interessados no estudo realizado pelo Hospital de Clínicas devem:
- ter mais de 18 anos;
- possuir diagnóstico de doença de Parkinson ou não apresentar nenhuma doença neurológica;
- ter disponibilidade para atendimento presencial no Centro de Pesquisa Clínica do HCPA, em Porto Alegre.
O contato com a equipe pode ser feito pelo telefone (51) 99414-3580 ou pelo e-mail projeto20250134@hcpa.edu.br.
Também é possível realizar a inscrição por meio do formulário eletrônico disponibilizado pela equipe de pesquisa.
Segundo o HCPA, as informações encaminhadas pelo formulário serão utilizadas exclusivamente para contato com os interessados e avaliação inicial dos critérios para participação, com armazenamento seguro e tratamento dos dados de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).






