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Mulheres conquistam espaço na produção de café em Minas Gerais

Uma cooperativa de mulheres de Minas Gerais tem conquistado espaço em um meio em que quase 90% dos produtores rurais do país eram homens, segundo dados de 2006 do Censo Agropecuário. Foi o amor pelo café que uniu Leticia, Leila, Margarida, Patricia e Sandra, todas com histórias de vida distintas, e que hoje integram a Associação das Mulheres Empreendedoras do Café da Serra da Mantiqueira do Sul do Estado de Minas Gerais (Amecafé Mantiqueira).

A Associação reúne mulheres da região envolvidas na produção cafeicultora, desde catadoras, a meeiras e proprietárias de terras. Leticia Albinati, de 56 anos, afirma que a maioria das integrantes tem pequenas propriedades e colhem até 200 sacas por ano. O grupo, formalizado em agosto de 2017, já reúne 62 mulheres de oito cidades da região (Cambuquira, Campanha, Cristina, Heliodora, Jesuânia, Lambari, Pedralva e São Gonçalo do Sapucaí).

Segundo a pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM), dos cerca de três milhões de toneladas de café produzidos no país em 2016, essas cidades representaram, juntas, 1,9% do total, com destaque para São Gonçalo do Sapucaí (11,8 mil t), Cambuquira (11 mil t) e Lambari (9,4 mil t).

Leila e Margarida administram juntas propriedade cafeicultora Crdito Arquivo pessoal Leila e Margarida 623x468 - Mulheres conquistam espaço na produção de café em Minas Gerais

Idealizadora da iniciativa e cafeicultora há 12 anos, Leticia conta que tudo começou em 2016, com 12 catadoras de café. À época, muitas guardavam o grão em casa, não possuíam capacitação e recebiam por seu produto um valor abaixo do real. Comovida, ela passou a reunir o grupo para capacitações, com a proposta de valorizar o trabalho e melhorar a qualidade de vida dessas produtoras. Pouco a pouco, a notícia foi se espalhando e novas mulheres quiseram participar. “Hoje, elas se sentem incluídas na cafeicultura, sabem conversar de igual para igual sobre o café”, conta. Das 12 primeiras catadoras, todas passaram também a cultivar sua própria plantação.

Além da inclusão social, o retorno também é financeiro. A Amecafé Mantiqueira disponibiliza às associadas um selo de autenticidade e um certificado, que atesta a compra de um café especial (acima de 82 pontos) produzido por mulheres – o que agrega valor ao produto com reflexos no preço final. Em um período que a saca valia R$ 490, por exemplo, ela chegou a ser comercializada por R$ 540 com essa certificação. O lucro é todo entregue à produtora, que também é responsável pela negociação.

Respeito conquistado

As “comadres” de infância Leila Lemes, de 57 anos, e Margarida Santos, 67, são as primeiras produtoras a comercializarem o produto torrado com o selo da Amecafé Mantiqueira. Há quase 30 anos, elas aproveitaram o momento econômico instável no país e o incentivo à aquisição de terras para comprar juntas uma propriedade em Cambuquira. Oriundas da cidade e sem experiência na roça, depois de algumas tentativas, as duas firmaram o negócio na produção de café e conquistaram, aos poucos, o respeito dos vizinhos.

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