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Exportações gaúchas têm forte queda no segundo trimestre

A crise cambial na Argentina e a redução das vendas de carne suína provocada pelo embargo da Rússia, no contexto externo; e a greve dos caminhoneiros, no contexto interno, provocaram forte retração nas exportações da indústria de transformação gaúcha no segundo trimestre de 2018, em relação ao mesmo período de 2017. É o que revela a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), ao divulgar, nesta terça-feira (10), a Balança Comercial. As vendas externas do setor secundário – responsável por 60% do total exportado no RS entre abril e junho – caíram 7,5%, para US$ 2,9 bilhões. “O cenário externo atual impõe desafios ao setor exportador gaúcho, ao afetar negativamente a demanda de alguns dos nossos principais parceiros comerciais. Ainda que a desvalorização da taxa de câmbio observada nos últimos meses ajude na competitividade das nossas mercadorias, o aumento da volatilidade da cotação é ruim para o planejamento das empresas. A complexidade do quadro econômico e político interno também contribui para o aumento da incerteza e a retenção da produção”, explica o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry.

A greve dos caminhoneiros contribuiu para o declínio de 8,7% do volume de cargas embarcadas pelo Porto de Rio Grande entre maio e junho: 417 mil toneladas a menos em termos absolutos. Já a venda de carne suína para os russos caiu 56,6% em função do embargo. Treze das 23 categorias do setor industrial que realizaram alguma operação de exportação no segundo trimestre registraram queda, cinco tiveram expansão e cinco se mantiveram estáveis. As principais contribuições negativas vieram de Químicos (-32,3%), Alimentos (-16,0%), Máquinas e equipamentos (-15,7%) e Tabaco (-6,9%). Celulose e papel evitou um resultado ainda pior do setor secundário, ao avançar 99,4%.

Assim como a indústria de transformação, as exportações totais do Rio Grande do Sul, que somaram US$ 4,83 bilhões, também tiveram recuo (-3,1%) entre abril e junho, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Por sua vez, as importações totais subiram 12,7%, chegando a US$ 2,57 bilhões. Todos os segmentos mostraram altas consistentes, incluindo Bens intermediários (11,5%), Bens de capital (18,9%), Combustíveis e lubrificantes (18,4%) e Bens de consumo (8,1%).

A China foi o principal destino das exportações gaúchas no trimestre, com um crescimento de 9,9%, atingindo US$ 1,9 bilhão, tendo a soja como principal produto. A Argentina, mesmo com queda de 5,1%, veio em segundo, com US$ 439,7 milhões. Os Estados Unidos, terceiros colocados, reduziram em mais de 16% suas compras, que totalizaram US$ 293,2 milhões.

JUNHO
Na análise de junho de 2018 com o mesmo mês de 2017, as exportações do Rio Grande do Sul alcançaram US$ 1,47 bilhão, recuo de 12,9%.  Desse total, a indústria foi responsável por US$ 972 milhões, retração de 18%. As maiores contribuições para esse resultado vieram de Alimentos (-40,6%), Químicos (-25,4%), Tabaco (-25,6%), Máquinas e equipamentos (-22,4%), Materiais elétricos (-53,8%) e Veículos automotores, reboques e carrocerias (-11,8%). Já celulose e papel (71,4%), Couro e calçados (6,3%), Borracha e plástico (17,4%) e Móveis (28,6%) foram os destaques positivos.

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