Saúde

Normose, a doença de normalidade

A publicação recente de dois estudos internacionais sobre a prevalência de riscos sérios à nossa saúde: o sedentarismo e o uso de álcool, nos leva a fazer uma importante reflexão: será que ter um comportamento habitual, considerado normal é bom para nossa qualidade de vida?! Essa não é uma reflexão inédita, já que em 2000 o médico americano Bowen F. White lançou seu livro “Ser normal não é saudável” alertando sobre o fato.

O educador e filósofo Pierre Weil chama de NORMOSE a essa situação em que um comportamento considerado absolutamente normal para a sociedade e adotado, se não pela maioria, pelo menos por grande parcela das pessoas, longe de ser saudável vem trazendo como consequência aumento de doenças crônicas degenerativas e consequentemente sofrimento às pessoas e custos inviáveis aos sistemas de saúde.

Assim sendo, quando observamos os resultados desses estudos que revelam que tanto o sedentarismo como o hábito de beber álcool, se tornam cada vez mais normais precisamos alertar as pessoas sobre os perigos que estão correndo aos adotar estilos de vida ou hábitos muito comuns e socialmente aceitos, mas que de fato estarão destruindo sua saúde lentamente!

É essencial lembrar que esses comportamentos vêm crescendo em prevalência, por força de uma mídia que os promove e estimula de forma constante, repetitiva e alienante. Por que ainda se permite propaganda de bebidas alcoólicas? Por que não se criam facilidade reais para que as pessoas possam andar com segurança em calçadas descentes? Por que não se fazem ciclovias ou ciclo faixas onde as pessoas possam com segurança se deslocarem para seus trabalhos ou para o lazer?

Apenas continuar divulgando fatos que apontam para o aumento desses riscos, sem uma reflexão profunda sobre as verdadeiras causas dessas tendências visando sua correção creio ser mais uma enorme hipocrisia do nosso sistema. Chega de hipocrisia! Vamos conciliar indignação com práticas coerentes!

Antonio Monteiro, médico preventivista e clínico geral formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. 

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