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Filhote de tamanduá é resgatado em Farroupilha

Um filhote de tamanduá-mirin (Tamanduá tetradactyla), de aproximadamente um mês de vida, foi resgatado pelos técnicos da Secretaria de Meio Ambiente de Farroupilha, na localidade de Linha São Jose/Cafundó, no dia 12 de fevereiro. O filhote estava aparentemente em boas condições de saúde, e foi encontrado em uma árvore tremendo de frio. A suspeita é de que a sua mãe tenha sido morta por cães.

Conforme o biólogo Nelson Gonçalves Jr e a engenheira agrônoma Tarciana Maino, da secretaria de Meio Ambiente, que participaram da missão, esta espécie é considerada vulnerável (VU), segundo a lista de espécies ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul.

O filhote foi encaminhado para o Centro de Recuperação do Zoológico da UCS, onde será tratado e posteriormente reintroduzido ao seu habitat natural.

Curiosidades sobre a espécie

  • Tempo de Vida: Vivem até 20 anos

O tamanduá mirim (Tamandua tetradactyla) recebe esse nome por causa do seu tamanho pequeno, se comparado ao tamanduá bandeira. Um adulto da espécie pesa em torno de sete quilos, tem de 45 a 85cm de comprimento corporal e uma cauda com 40 a 65cm. Os seus pelos são curtos e densos e recobrem seu corpo, a coloração é amarelo pálida com duas faixas negras que se estendem da região escapular até a porção posterior do animal. A partir dessa coloração a espécie é conhecida, também, como tamanduá de colete.

  • Unhas grandes

O tamanduá mirim tem garras grandes e curvas nos membros anteriores. O nome da espécie Tamanduá tetradactyla, significa “quatro dedos” em grego, correspondendo às patas dianteiras. Já nas patas traseiras, a espécie possui cinco dedos, sendo que o quinto dedo é bem reduzido com garra menor, deste modo, de difícil visualização.

  • Habitat

O tamanduá mirim habita a América do Sul, leste da Cordilheira dos Andes, da Venezuela ao norte da Argentina e Uruguai. No Brasil, a espécie se apresenta em praticamente todo o território nacional, aparecendo na Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Campos Sulinos. É encontrado nas florestas, ambientes abertos próximos a rios e riachos.

  • Hábitos

O tamanduá mirim tem grande atividade à noite, embora possa ser visto, eventualmente durante o dia. A sua causa é semi preênsil e isso o auxilia na hora de se agarrar em algum galho. Não há pelos no lado inferior e na extremidade da cauda. Quando não está em atividade, costuma descansar no interior de tocas ou ocos de árvores. Em uma área de 350 a 400 hectares pode-se encontrar dois animais da mesma espécie.

  • Alimentação

O tamanduá mirim se alimenta basicamente de: formigas, cupins e abelhas. Muitas pessoas relatam que “tamanduá” em tupi guarani significa “caçador de formigas”, pois estas aliadas ao cupim são os seus alimentos prediletos. Para capturar o seu alimento, o tamanduá mirim faz buracos nos formigueiros e cupinzeiros com suas garras. Sua língua é grande coberta por espinhos voltados para trás, além disso, a sua saliva é pegajosa, e os insetos ficam grudados nela. Em um único dia, o tamanduá mirim pode visitar cerca de 50 ninhos de formigas e cupins. Portanto, a alimentação é farta.

Vale lembrar que, essa estratégia engenhosa para pegar o seu alimento é facilitada, sobretudo por um olfato apuradíssimo, que compensa as fracas visão e audição.

  • Reprodução e Filhote

O tamanduá mirim é uma espécie solitária e busca os seus pares em épocas de reprodução, que geralmente acontece no outono. A gestação da fêmea dura aproximadamente 130 a 190 dias, nascendo um único filhote, muito pequeno por sinal. A fêmea cuidará dele e se separarão após cerca de um ano de idade. Este animal vive até os nove anos, essa idade se estende também para animais criados em cativeiro. A reprodução do tamanduá mirim é algo que causa preocupação para os estudiosos, por causa de seus baixos níveis metabólicos, o animal tem longos períodos de gestação e um número reduzido de crias, com isso a preocupação constante com o seu bem-estar.

  • Extinção

O tamanduá mirim, aparentemente, é uma das poucas espécies ainda preservadas na fauna brasileira. Contudo, o risco de extinção ainda se apresenta a caça, os atropelamentos e, principalmente, a destruição do seu habitat natural (as florestas) em razão das queimadas, geralmente elimina a sua principal fonte de alimento: cupins, larvas e formigas. Estes aspectos contribuem para o possível declínio da população, e até mesmo a extinção em algumas regiões. É relevante destacar que outra ação humana ameaça a espécie, direta ou indiretamente, são os atropelamentos em rodovias próximas ao seu ambiente natural, e ao frequente ataque de cães domésticos.

  • Conservação

O tamanduá mirim é uma das quatro espécies de tamanduá no mundo. Os seus principais predadores são os felinos como a onça pintada, a suçuarana e a jaguatirica. Há reconhecidas quatro subespécies de tamanduá mirim: tamandua tetradactyla, tamanduá tetradactyla nigra, tamanduá tetradactyla quichua e tamandua tetradactyla straminea. A espécie é protegida por lei, assim como os tamanduás bandeiras. Há registros de uma conservação da espécie um tanto frágil no estado do Rio Grande do Sul.

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