
Por Redação — revistanews.com.br
A derrota do Internacional por 2 a 0 para o Mirassol, na noite desta sexta-feira (16), pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro, é o retrato fiel de um clube que caminha perigosamente rumo ao abismo. Em um confronto direto de “seis pontos” contra o rebaixamento, o Colorado viu o adversário paulista abrir distância na tabela (chegando aos 36 pontos, na 14ª posição), enquanto o time gaúcho permaneceu atolado na 17ª colocação, dentro da zona de degola, com apenas 32 pontos.
Seria leviano e injusto apontar o dedo para o técnico Eduardo Baptista. Contratado no final de setembro para apagar um incêndio que ele não começou, o treinador herdou uma terra arrasada e tentou montar uma equipe competitiva mesmo cercado de limitações e desfalques de última hora, como a ausência do capitão Alan Patrick. O revés no interior paulista tem raízes muito mais profundas que passam diretamente pelos gabinetes do Beira-Rio e pelo colapso anímico do vestiário.

1. O erro sistemático de Alessandro Barcellos nas contratações
O resultado em Mirassol é, acima de tudo, a fatura de anos de escolhas equivocadas da gestão Alessandro Barcellos. O presidente colorado cometeu erros sistemáticos na montagem do grupo: gastou cifras milionárias em ciclos anteriores sem retorno esportivo e, em 2026, entregou um elenco curto, desequilibrado e carente de peças de reposição confiáveis.
Quando o time precisou enfrentar um concorrente direto pela sobrevivência na Série A, ficou evidente a disparidade entre o discurso da direção e a realidade do gramado: faltam líderes, sobram improvisações (como Bernabei atuando avançado no meio-campo por falta de meias armadores disponíveis) e inexiste profundidade de elenco para suportar o peso da camisa colorada.
2. Ambiente de descrédito e baixa autoestima do elenco
Um time que luta contra o rebaixamento precisa de nervos de aço, mas o Internacional atual entra em campo carregando uma nuvem de descrédito. A baixa autoestima do grupo é palpável: ao menor sinal de adversidade, a equipe se desestrutura emocionalmente. O nervosismo se traduziu em seis cartões amarelos e um vermelho ao longo da partida. Após o apito final, o desabafo do defensor Bruno Gomes — cobrando que “todo mundo tem de entender a responsabilidade” — escancarou um vestiário abatido, pressionado e sem confiança para reagir nos momentos críticos.
3. Falhas individuais que destruíram o plano de jogo
Qualquer estratégia traçada por Eduardo Baptista foi para o ralo aos 14 minutos do primeiro tempo. Em uma falha individual gravíssima de leitura de lance e tempo de bola, o goleiro Matheus Cunha (escalado às pressas após Anthoni ser vetado por um abscesso na perna e febre) saiu da área e derrubou o atacante Bruno Santos, que ficaria com o gol aberto. Cartão vermelho direto e mais de 75 minutos com um jogador a menos.
Na volta do intervalo, logo aos 2 minutos da etapa final, a desatenção defensiva voltou a aparecer: Edson Carioca encontrou espaço pela direita e serviu Eduardo, que bateu no canto para abrir o placar para o Mirassol. Mesmo com o jovem goleiro Kauan Jesus fazendo grandes defesas para evitar um vexame maior e Bruno Gomes carimbando a trave em chute de longe, o Inter voltou a falhar na recomposição aos 41 minutos, permitindo o contra-ataque puxado por Fernandinho e concluído por André Luis para fechar o 2 a 0 (Reinaldo ainda desperdiçou um pênalti nos acréscimos para os donos da casa, acertando o travessão).
4. Afinal, onde está Sergio Rochet?
Enquanto o Inter sofria com a expulsão de Matheus Cunha e precisava lançar o garoto Kauan Jesus na fogueira, o torcedor colorado se fazia a mesma pergunta: onde está Rochet?

A situação do arqueiro uruguaio é o símbolo do departamento médico e do planejamento colorado em 2026. Contratado com status de estrela e liderança, Rochet praticamente não existiu na temporada:
- Histórico clínico alarmante: Após sofrer com lesões na mão e na panturrilha no primeiro semestre, o goleiro passou por uma cirurgia de hérnia de disco em agosto.
- Regressão no tratamento: Quando se esperava seu retorno em outubro, Rochet regrediu na recuperação e precisou passar recentemente por um procedimento de bloqueio na região lombar.
- Ausência prolongada: Ele não entra em campo pelo Internacional desde 12 de maio (e não joga futebol desde junho, na Copa do Mundo pelo Uruguai), somando apenas 17 partidas pelo clube em todo o ano de 2026. Com contrato encerrando em dezembro, é muito provável que sequer volte a vestir a camisa colorada nesta temporada.
5. A escassez no ataque: Quais eram as opções de Eduardo Baptista?
Para agravar o cenário de terra arrasada, basta olhar para a folha de escalação de ontem para perceber o drama ofensivo vivenciado por Eduardo Baptista. Sem opções de peso e com o elenco esfacelado, o treinador tinha um leque extremamente reduzido de atacantes de ofício para tentar buscar o resultado:
| Jogador | Status na Partida | Perfil / Situação em Campo |
| Alerrandro | Titular (saiu no intervalo) | Único centroavante de ofício experiente disponível; isolado após a expulsão, deu lugar ao zagueiro Félix Torres. |
| Vitinho | Titular (jogou 90 min) | Atacante de beirada; precisou se desdobrar na recomposição e pouco conseguiu produzir perto da área. |
| Johan Carbonero | Reserva (entrou aos 14’/2ºT) | Atacante de velocidade pelos lados; entrou na vaga de Matheus Bahia, levou cartão amarelo e não finalizou. |
| João Victor | Reserva (entrou aos 13’/2ºT) | Jovem atacante oriundo das categorias de base (camisa 44), lançado em meio ao desespero. |
| João Bezerra | Reserva (entrou aos 36’/2ºT) | Garoto de apenas 9 minutos em campo (camisa 49), vindo do Celeiro de Ases para tentar um milagre no fim. |
Com exceção de Alerrandro e dos pontas Vitinho e Carbonero, Eduardo Baptista só tinha no banco de reservas dois garotos da base (João Victor e João Bezerra) como atacantes de ofício — além do ponta sueco Eliasson, que sequer saiu do banco. Exigir poder de fogo de um treinador que precisa recorrer a meninos em um jogo de vida ou morte, com um homem a menos desde os 14 minutos, é ignorar o verdadeiro culpado pelo caos: a gestão que montou este grupo.
Restando sete rodadas para o fim do Brasileirão, o Internacional recebe o Botafogo no próximo sábado (24), no Beira-Rio. Mais do que tática, o Colorado precisará de um choque de realidade para evitar a queda.





