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Câncer de Laringe: 80% são registrados em homens

No próximo dia 16 comemora-se o Dia Mundial da Voz e nada mais oportuno do que falar de um dos cânceres responsáveis pela perda da voz ou alterações irreversíveis: o câncer de laringe.

O câncer da laringe (pregas vocais ou cordas vocais) corresponde a 25% dos tumores da região da cabeça e pescoço e 2% de todos as doenças malignas. Embora a taxa de novos casos de câncer de laringe está caindo em cerca de 2 a 3%, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que para cada ano do biênio 2018/2019, sejam diagnosticados no Brasil 7.670 novos casos de câncer de laringe (6.390 em homens e 1.280 em mulheres). Esses valores correspondem a um risco estimado de 6,17 casos a cada 100 mil homens e 1,20 casos a cada 100 mil mulheres.
A ocorrência pode ser na laringe supraglótica, na glote e ou na subglote. Aproximadamente 2/3 dos tumores surgem nas cordas vocais (região glótica), e 1/3 na laringe supraglótica (acima das cordas vocais). O tipo histológico mais prevalente, em mais de 90% dos pacientes, é o carcinoma epidermoide. Estudos apontam que há uma nítida associação entre a ingestão excessiva de álcool e o tabagismo com o desenvolvimento de câncer nas vias aerodigestivas superiores, sendo o tabagismo o maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer de laringe.

“O álcool e o tabaco são os maiores inimigos da laringe. Fumantes têm 10 vezes mais chances de desenvolver esse tipo de câncer. Em pessoas que associam o fumo e bebidas alcoólicas, esse número sobe para 43”, explica o médico cirurgião de cabeça e pescoço Dr. Erivelto Volpi, Cirurgião de Cabeça e Pescoço do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e coordenador do Curso de Medicina da Faculdade Uninove – Campus São Bernardo do Campo.

O sintoma mais comum é a rouquidão persistente e sem causa aparente. “A rouquidão proveniente de tumores é diferente da rouquidão relacionada ao esforço vocal ou à laringite ligada a processos gripais, pois não vem acompanhada de febre ou dor, é progressiva e persiste”, alerta Dr. Erivelto.

Caso não haja tratamento na fase inicial do câncer, a rouquidão pode evoluir para dor durante a deglutição (ato de engolir) e falta de ar. Na fase mais avançada, podem aparecer nódulos no pescoço.

De acordo com a localização e a extensão do câncer, ele pode ser tratado com cirurgia e/ou radioterapia e com quimioterapia associada à radioterapia. Quanto mais precocemente for feito o diagnóstico, maior a possibilidade de o tratamento evitar deformidades físicas e problemas psicossociais, já que a terapêutica dos cânceres da cabeça e do pescoço pode causar problemas nos dentes, fala e deglutição. A laringectomia total (retirada da laringe) implica na perda da voz fisiológica e em traqueostomia definitiva (abertura de um orifício artificial na traqueia, abaixo da laringe). “No tratamento atual do câncer de laringe, a preservação da voz e a ausência de traqueostomia são possíveis, para isso técnicas cirúrgicas minimamente invasivas são utilizadas, bem como novos agentes quimioterápicos e modernas técnicas de radioterapia”, esclarece Dr. Erivelto Volpi.

Principais sintomas do câncer de laringe:

Alterações na voz e rouquidão não associadas à processos gripais
Ferida na garganta que não cicatriza
Tosse constante
Dor ao engolir
Dor de ouvido
Dificuldade para respirar
Perda de peso
Nódulo ou massa no pescoço