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ACIST-SL apresenta índice para a violência em São Leopoldo

Reunidos nesta quarta-feira (27) na ACIST-SL, empresários e lideranças públicas participaram de um painel sobre Segurança Pública em São Leopoldo, quando tiveram acesso a um indicador inédito para São Leopoldo: o Índice de Violência, que compreende as principais estatísticas criminais e de violência contra a mulher disponibilizados pelos órgãos competentes, tendo como base de cálculo o ano de 2012 e o número 100. O recorte é sempre um por dez mil habitantes e por frota de veículos. Conforme o levantamento, o índice de violência de São Leopoldo teve uma redução de 2,8% de 2012 para 2018. Veja gráfico abaixo.

O anúncio foi feito pelo vice-presidente de Indústria da Associação, Fernando Ribas, coordenador do Boletim Socioeconômico Trimestral e que teve, nesta primeira edição de 2019, a Segurança Pública como bloco temático. Para efeito de comparação, também foram elaborados os índices de violência dos municípios de Canoas, Gravataí e Novo Hamburgo, por serem cidades com porte e perfil de atividades semelhantes a São Leopoldo.

Conforme o levantamento, São Leopoldo ficou em segundo lugar no índice, perdendo para Novo Hamburgo, que ficou com 95,6 (-4,5%) na pontuação, enquanto Canoas ficou com 102,0 (+2%) e Gravataí, com 124,77 (+24,7).

Para chegar ao número, foram analisadas as taxas de homicídios; latrocínios; roubos; furtos; roubo de veículos; estelionatos; e de tráfico e porte de entorpecentes. Também foram incluídos dados sobre a violência contra a mulher: feminicídio tentado e consumado; estupro; lesão corporal; e ameaça.

“Os índices apontam que, de modo geral, a violência diminuiu nos municípios de São Leopoldo e de Novo Hamburgo em 2018 frente a 2012”, ressaltou Fernando. Especialmente no que refere a São Leopoldo, nota-se que o pico de violência do período analisado ocorreu em 2015, cujo resultado foi de cerca de 18% superior a 2012.

INDICE DE VIOLÊNCIA

Fonte: Secretaria de Segurança Pública – Rio Grande do Sul. Elaboração: Núcleo de Excelência Competitividade e Economia Internacional – UNISINOS

O Boletim também apresentou um atlas sobre as causas da violência, a partir de dados do IPEA. “Os aspectos que contribuem para explicar a violência são indicadores relacionados a seis dimensões, que são a educação, pobreza, trabalho, habitação, gravidez na adolescência e vulnerabilidade juvenil”, disse Ribas, salientando que a partir destas áreas, podem ser realizadas ações para reduzir o impacto destas dimensões.

Após a apresentação dos dados, foi instalado um painel formado por Rogério Daniel da Silva, diretor de Segurança Pública da ACIST-SL; Eduardo Hartz, delegado da 3ª Divisão Regional Metropolitana-Polícia Civil; tenente coronel Sérgio Gonçalves dos Santos, comandante do 25º Batalhão de Polícia Militar; e Carlos Sant’ana, secretário Municipal de Segurança Pública.

Todos destacaram a importância de um evento como este para levar à população mais conhecimento sobre a realidade da violência na cidade.

Eduardo Hartz ressaltou que o maior objetivo da DRM é melhorar o atendimento à população. “A Polícia Civil tem atuado com todo o afinco para reduzir os índices de criminalidade e temos tido relativo sucesso, mas temos consciência que as pessoas precisam de mais apoio quando buscam nossos serviços”. Dentre as melhorias está a instalação de um totem de autoatendimento na sala de espera da DPPA, com o objetivo de possibilitar registros na Delegacia Online. “Este equipamento irá agilizar a elaboração dos boletins de ocorrência”, explica. Também serão instalados novos pontos de registros de ocorrências. Um na 1ª DP e outro na unidade do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa de São Leopoldo.

Já para o controle dos índices de criminalidade, a Polícia Civil está articulando ações integradas com Guarda Municipal, Brigada Militar e Policia Rodoviária Federal, com o objetivo de prevenir crimes em áreas previamente identificadas e operações policiais focadas no cumprimento de medidas cautelares (repressão qualificada). Também haverá prioridade na investigação dos crimes de roubos com emprego de arma de fogo, tráfico, organizações criminosas e lavagem de dinheiro.

Brigada Militar – O comandante do 25º BPM, tenente coronel Sérgio Gonçalves dos Santos, fez um recorte nos dados do Boletim, enfatizando os homicídios dolosos e suas causas. “Na área de abrangência do Batalhão, em 2017 tivemos 97 ocorrências, em 2018, foram 46 e somente nestes dois primeiros meses de 2019, forma nove mortes e isto nos preocupa, pois a principal motivação é o tráfico de drogas”, apontou. Para reduzir estes índices, serão desenvolvidas ações estratégicas como o Projeto Eu Cidadão, que conta com a parceira da Unisinos, a intensificação do policiamento comunitário e da Patrulha Maria da Penha e do PROERD, que é um grande projeto para conscientizar os jovens em idade escolar. “O tráfico de drogas deve ser combatido com veemência por ações preventivas e repressivas”, pontuou, concluindo que, para o aumento do grau de tranquilidade pública é imprescindível investimento de recursos nas estruturas de prevenção e repressão à ocorrência de delitos.

Segurança no município – O secretário municipal de Segurança Pública e Defesa Comunitária, Carlos Sant´Ana, destacou a formação do Conselho Popular de Segurança Urbana, que terá como finalidade democratizar e ampliar a participação dos cidadãos no que diz respeito às políticas públicas de segurança. “Com a implantação do Conselho, será aberta a possibilidade de discussão entre a comunidade e os agentes de segurança acerca dos problemas locais, permitindo-se maior integração entre a sociedade e a Administração Pública Municipal na gestão de ações para o combate à violência”, disse. Ele também comemorou a criação do Fundo Municipal de Segurança Urbana, a fim de reservar recursos financeiros de origens diversas, principalmente da Zona Azul, para que, mediante o acompanhamento do Conselho, sejam destinados em ações e projetos prioritários de prevenção à violência.

Repercussão:

Para o presidente da ACIST-SL, Oldemar Plantikow Brahm, o painel foi uma excelente oportunidade para mostrar o quanto a integração de forças é importante tanto para o levantamento de demandas como para a busca de soluções. “A segurança pública é uma chaga no Brasil e São Leopoldo não é diferente. Já percebemos redução nos números, mais ainda há muito a ser feito”, disse.

Ary Vanazzi, prefeito municipal de São Leopoldo, a apresentação destes dados, que estão em queda, fazem com que a autoestima da população volte a crescer e estimula a busca de alternativas. Um dos pontos destacados é a busca de uma sede definitiva para o 25º BPM.

Fernando Ribas, vice-presidente de Indústria da ACIST-SL, apontou que o Boletim é um instrumento para empresários para a tomada de decisões sobre seus investimentos na cidade, mas também é uma ferramenta para a busca de soluções para grandes questões. “A redução da violência impacta no setor produtivo, porque ativa o comércio de rua, gera autoestima e é mais um índice positivo para a confiança dos empresários. Mostra que os impostos estão sendo investidos em áreas de interesse comuns a todos. Destaca ainda que a ACIST-SL tem sido um porta voz para as demandas do setor produtivo junto ao setor público, exercendo seu papel de articulação para gerar melhorias que interessam a toda a sociedade.

Rogério Daniel da Silva, diretor de Segurança Publica da ACIST-SL, disse que este tipo de evento coloca a comunidade frente à frente dos órgãos de Segurança para que conheça a realidade do município, instigando por melhorias e soluções. Segundo ele, os índices estão melhorando, o que geram mais confiança junto à população.

O município de São Leopoldo apresentou redução considerável dos índices de homicídios em 2018.
O tráfico de drogas deve ser combatido com veemência por ações preventivas e repressivas.
Para o aumento do grau de tranquilidade pública é imprescindível investimento de recursos nas estruturas de prevenção e repressão à ocorrência de delitos.

Homicídios

As estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul mostram que as ocorrências de homicídios dolosos, quando há intenção de matar, registraram variação negativa anual no período 2012-2018, em Canoas (-0,3%), Novo Hamburgo (-10,4%) e São Leopoldo (-8,9%).

A taxa de homicídios dolosos apontou que Canoas apresenta a maior taxa (3,2 homicídios dolosos/10.000 habitantes), e São Leopoldo, a menor (1,7 homicídios dolosos/10.000 habitantes), que também destacou-se pela redução de sua taxa ao longo do período analisado (2012 a 2018), que em 2012 era de 3,2.
Latrocínios

Os crimes de roubo seguido de morte (latrocínios), registraram aumento nos municípios de Gravataí e Canoas, na comparação de 2018 frente a 2012. Por outro lado, Novo Hamburgo e São Leopoldo registraram redução nas ocorrências.

Para efeito de comparação entre os municípios, nota-se que para cada 10.000habitantes, a taxa de latrocínios mais alta foi de 0,14, registrada no município de Gravataí.
O município de São Leopoldo não registrou latrocínios no ano de 2018, e, portanto, não apresentou taxa.
Em 2017, o município de Canoas não registrou latrocínios.

Roubos

As estatísticas revelam que as ocorrências de roubos em 2018 aumentaram frente às taxas observadas em 2012 em todos os municípios destacados.

A maior taxa de roubos foi registrada em Canoas, com 105,9 roubos por cada 10.000 habitantes; em 2012 essa taxa era de 72,5.

Em 2018, São Leopoldo registrou 77,0 roubos por 10.000 habitantes. Esse desempenho representa uma redução importante frente às ocorrências de 2017, quando a taxa foi de 105,1.
Taxas roubos por 10.000 habitantes

Furtos

As estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do estado do Rio Grande do Sul revelam que as ocorrências de furtos nos municípios destacados em 2018 sofreram redução frente às taxas observadas em 2012.
Entre esses municípios, em 2018, a maior taxa de furtos por 10.000 habitantes foi registrada em Novo Hamburgo (132,3 furtos/10.000 habitantes). A menor taxa foi observada em Gravataí, com 79,9 para cada 10.000 habitantes.

Em 2018, São Leopoldo registrou 130 furtos por 10.000 habitantes. Esse desempenho é o segundo melhor observado no período de 2012-2018, ficando apenas atrás de 2017, quando a taxa foi de 101,6. O pior desempenho do município ocorreu em 2013, quando a taxa de furtos superou 180 a cada 10.000 habitantes.

Roubo de veículos

As estatísticas referentes ao roubo de veículos apontam que, com exceção do município de Canoas, os demais registraram taxas de crescimento dos roubos de veículos superiores ao aumento da frota. Destaca-se que esses movimentos não impactam na redução do estoque total de veículos, pois a base da frota de veículos é muito superior à base do número de veículos roubados.

Em 2017, a frota de veículos de São Leopoldo foi de aproximadamente 120 mil veículos, o que representa um crescimento médio anual de 4,1% frente a 2012. Enquanto isso, o roubo de veículos foi de 741 em 2017, caracterizando uma variação positiva anual de 15,7% no período 2012-2017. Isso indica que a taxa de roubo de veículos avança mais rapidamente do que o aumento da frota.

O movimento oposto é observado em Canoas, onde a frota de veículos registra taxa de crescimento média anual de 3,9%, no período 2012-2017, enquanto o roubo de veículos cresce a uma taxa de 0,5% no mesmo período. Apesar da desaceleração do avanço dos roubos, o município ainda registra o maior número de roubos em comparação aos demais municípios destacados.

Tráfico e porte de entorpecentes

Nota-se que a taxa de tráfico de entorpecentes por 10.000 habitantes registrou aumento em todos os municípios destacados. Entre eles, destaca-se Canoas com a maior taxa (15,7 pessoas apreendidas com entorpecentes por 10.000 habitantes).

São Leopoldo apresentou a maior taxa entre os municípios em 2013, 2014 e 2016. Em 2017, o município conseguiu reduzir a taxa para o nível mais baixo do período analisado, embora em 2018 a taxa tenha voltado a subir, registrando 11,4.

A taxa de posse de entorpecentes registrou importante queda na comparação entre 2012 e 2018. No primeiro ano era de 29,8, enquanto no último, foi de 7,0 por 10.000 habitantes.
Taxa de entorpecentes por 10.000 habitantes

Violência contra mulher:

Em São Leopoldo, os indicadores de violência contra mulher registraram queda em 2018 frente a 2012. Essa comparação não é possível para os casos de feminicídio tentado, pois os registros iniciaram em 2013.

Em 2017, o município de São Leopoldo não registrou feminicídios consumados, assim como Novo Hamburgo. Nesse ano, a maior taxa foi registrada em Gravataí (0,24 de feminicídios consumados por 10.000 mulheres).
Em São Leopoldo a pior taxa ocorreu em 2012, quando o município registrou 0,51 feminicídios consumados para cada 10.000 mulheres.

Em São Leopoldo, a taxa de estupros por 10.000 mulheres em 2017 foi de 4,0. Essa taxa é superior à registrada em Canoas e Novo Hamburgo.

Contudo, frente 2012, o resultado representa uma redução, pois naquele ano era de 4,3.
De modo geral, destaca-se que a taxa leopoldense apresenta pouca oscilação, com exceção de 2014, quando atingiu o menor valor (2,5).

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