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RS: demanda fraca faz indústria acumular estoques

A Sondagem Industrial de março, divulgada nesta quarta-feira (24) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), apresenta expansão da produção e de vagas criadas pelo setor no RS, mas ao mesmo tempo, uma alta indesejada nos estoques das empresas. O indicador de produção foi de 52,2 pontos, contra os 53 de fevereiro. Embora tenha caído na comparação com o mês anterior – varia de zero a cem –, segue acima de 50, o que representa aumento. Esta elevação é comum anualmente nesse período, mas em 2019 foi menos intensa do que o normal, devido ao Carnaval em março. “O empresário continua agindo com cautela, mesmo assim, a perspectiva de investimentos para os próximos meses permanece”, diz o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry. Já o indicador do emprego foi de 50,7 pontos em março, mostrando que cresceu ante fevereiro (51,8), pois ficou acima dos 50 pontos.

O nível de ocupação do setor sofreu com os efeitos do feriado. A utilização da capacidade instalada (UCI), em março, permaneceu nos mesmos 69% de fevereiro, mas abaixo dos 71,3%  que a indústria gaúcha opera, em média, no terceiro mês do ano. O indicador relativo à UCI usual, abaixo de 50 pontos, comprova esse quadro: 45,2 pontos.

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O resultado dos estoques, que voltaram a se acumular, é um sinal de alerta para o setor industrial no Estado. O indicador foi de 54,5 pontos no terceiro mês de 2019, ficando acima de maio de 2018 (54,2), quando o aumento de volume ocorreu devido à greve dos caminhoneiros. Acima dos 50 pontos, o valor revela estoques maiores do que o planejado pelas empresas.

PROBLEMAS E EXPECTATIVAS
Os industriais consultados pela pesquisa apontaram que os dois principais problemas no primeiro trimestre de 2019 permaneceram os mesmos do último trimestre de 2018: a elevada carga tributária (47,4% das respostas) e a demanda interna insuficiente (38%). Vale destacar, porém, o crescimento de 4,9 pontos percentuais na demanda interna.

A demanda externa no primeiro trimestre de 2019 também foi considerada insuficiente por 14,6% dos consultados, o maior percentual da série iniciada em 2015. Muitos demonstraram insatisfação com a situação financeira e, sobretudo, com a margem de lucro operacional, com índices de 48,3 e 40,8 pontos, respectivamente.

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Apesar das dificuldades, a Sondagem Industrial mostra que os empresários consultados em abril continuam com expectativa de expansão nos próximos seis meses para a demanda (60,1 pontos), o emprego (52,5 pontos) e as compras de matérias-primas (57,1 pontos). Já as perspectivas para as exportações ficaram ainda mais otimistas: de 54,1 em março para 58,9 pontos em abril. No mesmo sentido, o índice de intenção de investimentos da indústria do RS para os próximos seis meses continuou em 54,8 pontos, seis acima da média histórica. A pesquisa foi realizada com 192 empresas, 44 pequenas, 71 médias e 77 grandes, de 1º a 12 de abril.

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