Novo Hamburgo

Cenários com a reforma da Previdência foram debatidos na reunião do Comitê de Economia

Na reunião do Comitê de Economia da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha, realizada na quarta-feira (22), o vice-presidente André Luis Momberger comentou sobre a sua participação no evento que a XP promove trimestralmente, o Investor DAY 2019. Segundo ele, neste evento participam gestores, economistas e analistas de mercado, para traçarem um panorama do que está acontecendo no Brasil e no mundo. “Fizemos uma leitura de mercado como um todo e a maioria dos temas abordados foi relacionado à reforma da Previdência, pois a economia está em compasso de espera dela. É quase unânime que a reforma saia, o que não se sabe, ainda, é a data, mas a previsão está entre final de julho a agosto. Sendo assim, ficaria para o segundo semestre deste ano. A pergunta é quanto da reforma previdenciária vai ser efetivada, porque está sendo desidratada por pressões de sindicatos muito poderosos, grandes corporações, Ministério Público, judiciário, militares, que são as grandes aposentadorias”, destacou Momberger.

O encontro também discutiu sobre a narrativa do Governo. “Está muito fraca e estão deixando o Paulo Guedes “lutar” sozinho, que, por hora, está se saindo muito bem. Para o mercado trabalhar positivamente, a reforma deve sair com no mínimo de 600 bilhões de economia, e a expectativa é que pode chegar a 800 bilhões”, pontuou o vice-presidente de Economia da ACI. Apresentando um gráfico de projeção, há possibilidades de cenários de reforma previdenciária. Entre elas, se não sair a reforma, em 2022 quebra o Brasil. “A conta não vai fechar, a arrecadação vai ser somente para a previdência”. Se enxugar 600 bilhões, será o mínimo para ser aprovada. Chegando a 700 bilhões, daqui a quatro ou cinco anos, precisará ser refeita a reforma. No caso de 800 bilhões, a curva é levemente ascendente, em dez anos cresce no ponto de vista de despesas.

“Chegando a um trilhão vai economizar mais, com um detalhe importante, vai permitir uma transição futura para um regime de capitalização. Quando o jovem entrar no mercado de trabalho, vai poder escolher se quer regime de capitalização ou regime de distribuição. Se escolher por regime de capitalização, não vai mais contribuir, sendo então, que não teremos mais entradas de novos contribuintes e vai gerar um buraco para continuar pagando as aposentadorias existentes. Esse buraco é a conta que o Paulo Guedes faz, que se não chegar a um trilhão, não tem regime de capitalização, pois não vai ter dinheiro para fazer essa transição”, esclarece o vice-presidente.

Segundo apresentado na reunião do Comitê, quem inicia a arrecadação, paga para quem está saindo. Hoje a entrada é de 4,7 pessoas para cada um inativo e só tente a piorar. “As pessoas estão vivendo mais e, contudo, ainda têm as regras para as pessoas poderem se aposentar mais cedo, sendo que hoje tem muitas pessoas se antecipando, para garantir a sua aposentadoria. Em um curto prazo, teremos meses difíceis, até consolidar essa questão política, mas a partir do ano que vem, com a aprovação da reforma da Previdência, seja ela qual for, passa a ter um cenário bem mais promissor”, visualiza ele.

Os integrantes do Comitê também debaterem que, na década de 90, com a distribuição de dinheiro para países emergentes, o Brasil representava entre 40% e 45%, com o crescimento dos Tigres Asiáticos, principalmente da China e da Índia. Hoje, o Brasil representa 8%. “Saindo a reforma da Previdência, imediatamente esse número sobe para 12%”, ressaltaram. Quanto aos estrangeiros/investidores, asseguraram que estão esperando para ver o que vai acontecer. Lembraram que os investidores estrangeiros só estão aguardando o sinal verde de seus consultores para colocarem seu dinheiro no Brasil. “A reforma da Previdência não resolve tudo, mais é o gatilho para iniciar essas boas mudanças. Estamos em um outro ciclo, um viés liberalista que é muito mais a favor da economia e da liberdade do cidadão, do que o viés social democrata. E o brasileiro está mudando seus pensamentos. Hoje espera bem menos do Governo do que esperava há 20 anos”, pontuaram. O grupo também lembrou que, olhando para o mercado de ações, é um ótimo termômetro do mercado. Atualmente se encontra estável, entre 92.000 e 93.000 pontos.

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