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Programa de prevenção à violência ajuda pais a controlarem a raiva

Programa ACT é uma das apostas do Pacto Pelotas pela Paz para diminuir os índices de criminalidade no município

Como os pais podem entender e controlar a raiva, a ponto de não descontá-las nos seus filhos? A pergunta foi o tema do terceiro encontro do ACT – Criando Crianças em Ambientes Seguros, programa de prevenção à violência do Pacto Pelotas pela Paz, nesta sexta-feira (6), no Balneário dos Prazeres. Identificar os motivos que despertam este sentimento e aprender técnicas que colaborem para lidar com ele são os primeiros passos para evitar que as crianças vivenciem situações de violência, explicou a facilitadora do grupo Daniele Oliveira.

“A raiva é um sentimento normal, todos nós temos. Mas precisamos aprender a não reagir desta forma porque a reação imediata pode nos levar a uma agressão, seja de forma verbal ou física”, explicou, salientando que os pequenos constantemente observam as atitudes dos adultos e as replicam.
Dividido em nove sessões, o programa socioemocional busca trabalhar dinâmicas que fortaleçam os vínculos familiares, ensinem sobre desenvolvimento infantil e, especialmente, estimulem o ‘educar’ distante de qualquer violência.

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Pelotas foi a primeira cidade do mundo a implantar a iniciativa – presente em 14 países – como política pública, em escolas e centros de assistência social. A idealizadora do programa, a psicóloga da Associação Americana de Psicologia, Júlia da Silva, veio à cidade em maio para oficializar a implementação.

Atualmente, 108 famílias participam do ACT, em nove locais espalhados pela cidade – em breve, mais três grupos serão abertos, o que aumentará o número de pessoas alcançadas. Desde o ano passado, 218 famílias foram beneficiadas pela metodologia psicosocioeducativa.

Reflexo em casa

O casal Alesandro e Carolina, pais de Kauã, 5 anos, está entre os participantes do núcleo do Balneário dos Prazeres, realizado na Escola Municipal de Educação Infantil Oswald de Andrade. Os encontros semanais têm colaborado para que os pais reflitam sobre as atitudes com o pequeno, bem como em relação à postura diante dos seus comportamentos.

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“O programa tem ajudado a me manter mais calmo. Passei a repensar algumas ações dentro de casa e, até mesmo, a forma como tratava ele… Às vezes, mais como um adulto, do que como uma criança. ‘Estourava’ com ele e depois parava para pensar. Agora reflito sobre as consequências disso”, disse Alesandro.

A mãe do menino concordou que as mudanças têm refletido na convivência da família e acrescentou que o ACT os auxilia a não potencializar algumas atitudes agressivas e de raiva do filho.

Programa de prevenção à violência 2 - Programa de prevenção à violência ajuda pais a controlarem a raiva
Facilitadores do programa recebem capacitação, semanalmente, com psicólogo para rever os conceitos trabalhados com as famílias – Fotos: Michel Corvello

O crescimento da participação masculina nas sessões é motivo de contentamento para a coordenadora do programa, Alicéia Ceciliano, que defendeu a importância da figura paterna no processo educativo. “Os homens estão aprendendo que também fazem parte do desenvolvimento dos filhos, e que precisam se envolver e impor limites, igualmente, às mulheres”, frisou.

A coordenadora ainda destacou que os 14 facilitadores do programa recebem capacitação, semanalmente, com psicólogo para rever os conceitos trabalhados com as famílias, o que dá mais propriedade e segurança à atuação dos profissionais.

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