Pelotas

Pelotas comemora neste sábado o Dia da Doceira

Data está integrada ao Calendário Oficial de Eventos do Município do Sul do Estado e será celebrado com esperança

O Dia da Doceira, 6 de junho, que deveria se passar em plena edição da Fenadoce, será comemorado de maneira diferente neste ano – com esperança. Além do patrimônio histórico, o doce é apontado como um dos principais atrativos da região, tornando Pelotas – sua capital nacional – a grande referência no ramo.

O Dia da Doceira em Pelotas foi instituído pela Lei 6.582/2018, cujo projeto é de autoria do deputado federal Daniel Trzeciak, vereador à época. A Lei foi assinada na própria Feira Nacional, pela prefeita Paula Mascarenhas.

Prefeita destaca patrimônio

“As doceiras representam o que há de melhor entre os pelotenses, que é a capacidade de criar, gerar emprego e renda. Elas nos deram nosso símbolo e dão continuidade ao nosso patrimônio imaterial, a arte de fazer os doces. Obrigada por acreditarem na cidade e fazerem o pilar que sustenta esta festa”, destaca a prefeita.

Fotos: Gustavo Vara

Para a sócia da doçaria Delícias Portuguesas, Maria Alzira Rosa Carreira, “a Fenadoce está fazendo falta, mas compreendemos a impossibilidade de sua realização”. Segundo a empreendedora, o que garante o êxito da Feira é o público. “Não se justificaria investir e montar a estrutura. As comemorações do Dia da Doceira eram na Fenadoce. Neste ano, festejaremos em meio a dificuldades, mas com esperança”, comenta Maria Alzira.

Referindo-se ao setor doceiro, a empresária diz: “Todos nós fomos muito abalados pela pandemia do coronavírus. As pequenas empresas registram prejuízos.” A Delícias Portuguesas fechou as portas por um período, atendendo ao Decreto de medidas de enfrentamento à Covid-19, teve de dar férias coletivas para um grupo de colaboradores, “e fomos nos ajeitando como podíamos”, conta. Hoje, o local atende com 50% dos funcionários e horário reduzido.

Apoio e solidariedade

Conforme a empresária, o momento requer apoio às pequenas empresas. “Os juros bancários são altos e comprometem a busca de recursos. Deveriam baixar custos, para que o setor possa se reerguer. Estamos mantendo as atividades com suporte nos salgados.”

As proprietárias da empresa Delícias Portuguesas utilizaram-se de criatividade. Criaram um cardápio de refeições que oferece pratos de diversas regiões brasileiras e de outros países. A arrecadação com a cozinha típica possibilita à empresa fazer doações ao Hospital São Francisco de Paula. Nesta semana, mais uma quantia foi entregue.

Receitas resgatadas

Maria Alzira relata que a doçaria produz receitas resgatadas de regiões portuguesas, como exemplo o “docinho do céu”, da área de Algarve; a “fatia de Braga”; os “pastéis de Águeda”; a “delícia de nozes”, da Batalha. Dos doces tradicionais de Pelotas, com selo de certificação, produz 11 variedades, além de toda a linha de bombons, reconhecida como criação das doceiras pelotenses.

Doces atraem turismo

“O doce é apontado em pesquisas como um dos elementos mais lembrados de Pelotas e região. O Município é receptivo em relação ao turista que chega em busca dos doces e com curiosidade sobre a fabricação. Muitas fábricas abrem suas portas para recepcionar esse pessoal e apresentar o processo”, salienta o secretário de Desenvolvimento, Turismo e Inovação, Gilmar Bazanella.

O secretário comenta que a Covid-19 provocará mudanças no perfil do turista. “O turismo será mais de família e regionalizado, com procura por passeios em finais de semana, em espaços mais naturais, com menos concentração de pessoas.”

Para Bazanella, Pelotas e a Costa Doce deverão se beneficiar muito com o novo estilo de turismo e, para atendê-lo, o Município – por meio da Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Inovação (Sdeti) e empresários do setor – replanejam a região. Reuniões com a assessoria técnica do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) estão em andamento.

Dados avaliados pelo turista

Além do atrativo doce, Pelotas e região registram, durante a pandemia, os menores índices de violência. Bazanella frisa que a segurança é um componente importante e avaliado pelo turista na hora de decidir o destino.

“Outro elemento também considerado é a forma como os agentes públicos estão tratando os seus munícipes neste momento. As pessoas olham como os gestores atendem as pessoas e, quanto à atenção, temos sido referência”, diz o secretário que, ao considerar os fatores – doce, natureza, hospitalidade, segurança, atenção e outros – conclui que Pelotas e região da Costa Doce devem se tornar, a curto prazo, um dos principais destinos do turismo.

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