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Brasil patina na transição ecológica e caminhões elétricos somam só 0,4% das vendas

Enquanto a China lidera a eletrificação global com 26% de participação, o transporte de carga brasileiro enfrenta barreiras de custo e infraestrutura para virar a chave da sustentabilidade.

A urgência global pela descarbonização das cadeias de suprimentos ainda não conseguiu acelerar o mercado de caminhões elétricos no Brasil. Embora o setor de transportes seja um dos maiores emissores de gases de efeito estufa, a substituição do diesel pela energia limpa nas estradas do país enfrenta um cenário de forte estagnação.

De acordo com um levantamento estratégico realizado pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), os caminhões movidos a eletricidade representaram a tímida marca de 0,4% do total de emplacamentos no país em 2025. O índice mostra uma evolução quase imperceptível em relação aos anos anteriores e coloca o Brasil na lanterna da transição energética global desse segmento.

Para se ter uma ideia da magnitude do atraso, a média mundial de vendas de caminhões elétricos já atinge 9%. O descompasso fica ainda mais evidente quando o Brasil é comparado a outros mercados estratégicos:

China: Líder isolada absoluta, onde 26% dos caminhões comercializados já são elétricos, impulsionada por fortes subsídios estatais e uma cadeia de baterias verticalizada.

União Europeia: Registra 4% de participação, sustentada por legislações ambientais rigorosas e metas severas de redução de emissões para as montadoras.

Enquanto isso, a indústria automobilística brasileira focada em pesados operou em ritmo forte, com uma produção total de 124.116 caminhões em 2025 (incluindo todas as motorizações). O volume expressivo comprova que a demanda por transporte existe e cresce, mas o transportador brasileiro ainda pretere o motor elétrico na hora de renovar a frota.

Os gargalos que travam o caminhão elétrico no Brasil

A lentidão brasileira não acontece por falta de interesse ecológico, mas sim por barreiras econômicas e estruturais severas. Especialistas do setor privado e do ILOS apontam três fatores críticos que impedem o faturamento desses modelos:

Preço de aquisição proibitivo: Um caminhão elétrico no Brasil chega a custar entre duas e três vezes mais do que o seu equivalente a diesel. Para pequenas e médias empresas de transporte, que compõem a maior parte da malha nacional, a conta do investimento inicial simplesmente não fecha no curto prazo.

Infraestrutura de recarga inexistente nas rodovias: A falta de eletropostos de alta potência (capazes de carregar baterias pesadas em poucos minutos) nas principais rodovias do país inviabiliza o transporte interestadual.

Autonomia e peso das baterias: Quanto maior a distância, maior precisa ser a bateria. No entanto, baterias muito grandes reduzem a capacidade de carga útil do veículo, fazendo com que o transportador leve menos mercadoria por viagem.

Onde a eletrificação funciona primeiro?

Apesar do cenário desafiador para as longas distâncias, o transporte verde já encontra nichos viáveis de sobrevivência no ecossistema brasileiro. Segundo Maria Fernanda Hijjar, sócia-executiva do ILOS, o início dessa virada cultural e tecnológica está consolidado nas rotas de curta distância.

“A adoção dos caminhões elétricos deve crescer primeiro em operações urbanas e regionais, com rotas previsíveis, menor quilometragem diária e possibilidade de recarga na base”, explica a executiva do ILOS.

Setores como o comércio eletrônico (entregas de última milha ou last mile), distribuição de bebidas e coleta de resíduos urbanos são os clientes ideais neste momento. Nessas operações, os caminhões rodam o dia todo nas cidades e voltam para as garagens das empresas à noite, onde passam pelo processo de recarga lenta aproveitando tarifas de energia mais baratas.

Já para o transporte de longa distância — a verdadeira espinha dorsal da economia brasileira, que escoa safras agrícolas e insumos industriais de um estado para o outro —, a dependência do diesel continuará por mais tempo. Segundo Maria Fernanda, a viabilidade nesses trechos longos ainda aguarda a evolução tecnológica da densidade das baterias, a redução do Custo Total de Propriedade (TCO) e a criação de corredores elétricos nas estradas brasileiras.

O peso do ESG e as metas para o futuro da logística

Ainda que o ritmo atual pareça desanimador, grandes corporações multinacionais e operadores logísticos de ponta mantêm os olhos fixos na tendência. As metas de governança ambiental (ESG) e os compromissos globais de neutralidade de carbono forçam as diretorias de suprimentos a desenharem planos de transição de longo prazo. O monitoramento das tecnologias de combustíveis alternativos — que incluem não apenas a eletricidade, mas também o biometano e o hidrogênio verde — virou item obrigatório de sobrevivência de mercado.

Esses novos rumos e as soluções práticas para a mudança da matriz energética no transporte de cargas serão o ponto alto dos debates no Fórum ILOS 2026. O evento reunirá as principais lideranças da indústria, do varejo e operadores logísticos do país para traçar estratégias viáveis que unam eficiência financeira e sustentabilidade.

Sobre o ILOS

Com uma trajetória sólida de mais de 30 anos no mercado nacional, o ILOS (Instituto de Logística e Supply Chain) consolidou-se como a principal referência brasileira no planejamento, estruturação e implementação de projetos de alta complexidade logística. Por meio de consultorias customizadas, pesquisas de mercado aprofundadas, treinamentos de alto nível e eventos corporativos, o instituto atua diretamente na vanguarda do setor, antecipando tendências e gerando insights estratégicos para o desenvolvimento econômico do país.

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